Teologia e Espiritualidade Franciscanas

Teologia e Espiritualidade Franciscanas 1. ESPIRITUALIDADE FRANCISCANA E FRANCISCANA SECULAR. “E como era muito humilde, mostrava toda a mansidão para com todas as pessoas, adaptando-se a todos com facilidade. Embora fosse o mais santo de todos, sabia estar entre os pecadores como se fosse um deles. Pai santíssimo que amas os pecadores, ajuda-os! Com tua poderosa intercessão e cheio de misericórdia, digna-te levantar os que vês prostrados na abjeção dos pecados.” (1C 83) 1.1. O que se entende por espiritualidade. Sendo o homem criado à imagem e semelhança de Deus, ser verdadeiramente homem é viver orientado para Deus. Espiritualidade é a forma de viver a vida de modo a que ela seja dirigida pelo Evangelho e um caminhar para a Vida Eterna. Como cada um de nós é diferente, esta amizade com Nosso Senhor é diferente e porque cada um de nós é único, também o plano de Deus para cada um de nós é único. Por isso também cada pessoa tem a sua maneira de procurar levar a sua vida no caminho da perfeição, a sua espiritualidade. O Papa Pio XII, no Discurso aos Terceiros Franciscanos em 1956, disse: A espiritualidade de um santo é a sua maneira particular de representar Deus, de falar d’Ele, de andar com Ele, de tratar com Ele. Cada santo vê os atributos de Deus através daquele em que mais medita, que mais aprofunda, que mais o atrai e mais o conquista. O ideal de cada santo consiste em tender para uma virtude particular de Cristo, mas todos os santos, como toda a Igreja procura imitar o Cristo no total. 1.2. A espiritualidade Franciscana. A espiritualidade franciscana consiste em viver a vida cristã, o Evangelho, à maneira de S. Francisco. E, segundo a Regra que ele deixou aos seus irmãos “observar o santo Evangelho vivendo em obediência, sem nada de próprio e em castidade. (2R) A espiritualidade do franciscano secular é (R 4) “Observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo os exemplos de S. Francisco de Assis, que fez de Cristo o inspirador e centro da sua vida para com Deus e para com os homens. Devem descobrir nos irmãos, na Igreja e nas ações litúrgicas, especialmente na Eucaristia, e pessoa viva e operante de Cristo. (R 5) A Regra dos Franciscanos seculares expõe mais uma série de pontos, mas gostaríamos de vos propor que pensemos um pouco nesta questão: Qual é o lugar que eu dou a Deus em cada dia da minha vida? 2. O DEUS DE S. FRANCISCO É A TRINDADE. Da1CF 5-7: “Oh! Quão felizes e benditos são os homens e mulheres que praticam estas coisas e perseveram nelas! 6 porque repousará sobre eles o espírito do Senhor (Is 11, 2) e neles estabelecerá a sua morada e mansão (Jo 14, 23); e são filhos do Pai celeste (Mt 5, 45), cujas obras fazem; e são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo” (Mt 12, 50). 2.1. O nome de Deus é, para S. Francisco, a Trindade. Já tivemos uma reunião com o tema S. Francisco e a Trindade e vimos que para S. Francisco Deus é a Trindade, e por isso não nos vamos alongar muito neste ponto, mas recordar os aspetos mais importantes. Francisco diz primeiro Trino e só depois Uno, sempre que se refere a Deus (ao contrário do que nos habituámos a ler e a escrever). E fala e escreve sempre em nome da Santíssima Trindade: “Em nome da Santíssima Trindade e santa Unidade, Pai e Filho e Espírito Santo. Ámen.” (CO 1). Para S. Francisco, todos nós temos uma relação com cada uma das três pessoas da Santíssima Trindade e ele ensina-nos a viver essa relação: “Somos esposos, quando pelo Espírito Santo a alma se une a nosso Senhor Jesus Cristo. Somos seus irmãos, quando cumprimos a vontade de seu Pai que está nos céus (Mt 12, 50); somos suas mães, quando o levamos no coração e no corpo (1Cor 6, 20) pelo divino amor e pela pura e sincera consciência, e quando o damos à luz pelas santas obras, que devem brilhar aos olhos de todos para seu exemplo (Mt 5, 16). Oh! como é glorioso ter no céu um Pai santo e grande! Oh! como é santo ter um tal esposo, consolador, belo e admirável! Oh! como é santo e amável ter um tal irmão e um tal filho, agradável, humilde, pacífico, doce, amável e mais que tudo desejável, Nosso Senhor Jesus Cristo, que deu a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 15)” (1CF 8-13) 2.3. A espiritualidade Trinitária na vida do franciscano e do franciscano secular. Nós franciscanos e franciscanos seculares devemos viver esta espiritualidade de um Deus Trindade desde logo quando começamos qualquer oração ou celebração com o sinal da cruz: “Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.” A Trindade é família e relação e por isso todo o franciscano e franciscano secular só se sente bem quando em relação com Deus e em relação com os outros e toda a Criação deve constituir a família. Deixamos aqui uma segunda pergunta para meditarmos: Como vivo em cada dia a espiritualidade da Santíssima Trindade Deus, Pai e Filho e Espírito Santo? 3. AS TRÊS PESSOAS DA SANTÍSSIMA TRINDADE. 3.1. Deus Pai Criador. Para S. Francisco e para o franciscano e franciscano secular, Deus Pai é: – O Deus que tudo criou por amor e para o amor porque Deus é amor (1Jo 4,8) – O Deus que ama cada homem pessoalmente porque é seu Pai (mesmo o pior dos pecadores – Rm 5,20) – O Deus que quer o melhor para cada homem porque cada homem é seu filho (Jo 1,12). – O Deus que tomou e toma sempre a iniciativa de amar primeiro (2Jo, 4, 19) – O Pai que nos enviou os seu Filho Jesus Cristo que se fez homem no seio de Maria e com Jesus nos vieram todos os bens. Escreve S. Paulo: Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos

CEP – Oito séculos de presença Franciscana em Portugal

CEP – Oito séculos de presença Franciscana em Portugal Nota Pastoral da CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA Com júbilo, gratidão e esperança, aConferência Episcopal Portuguesa associa-se à celebração dos oitocentos anos de presença franciscana no nosso País com a sua mensagem fraterna de Paz e Bem. Não sendo franciscana a pia batismal donovel Reino de Portugal, o cunho franciscano cedo impregnou muito doCristianismo português na vivência da piedade cristológica e mariana, sobretudo na celebração do Natal (presépio), na devoção à Paixão de Cristo (via sacra) e no culto da Imaculada Conceição. Desejamos que esta celebração jubilar seja ocasião para uma tomada de consciência das sementes franciscanas que ao longo do tempo foram germinando e crescendo na alma portuguesa.   1. Árvore frondosa de numerosos ramos O Franciscanismo chegou a Portugal em 1217depois de o capítulo geral da recém-fundada Primeira Ordem Franciscana,celebrado nesse ano, ter decidido enviar frades a evangelizar fora da Itália.As primeiras fundações, simples eremitérios, estabeleceram-se em Alenquer eGuimarães. O primeiro mosteiro português da Segunda Ordem foi o das Clarissas de Lamego em 1258. Integra-se também no ramo franciscano de religiosas de clausura a Ordem da Imaculada Conceição (Concecionistas), fundada em Toledo em 1489 pela portuguesa Santa Beatriz da Silva e estabelecida emPortugal em 1625. A Ordem Franciscana Secular,para homens e mulheres que orientam a sua vida cristã no estado secular segundo o espírito do Santo de Assis e designada primitivamente Ordem da Penitência e a seguir Ordem Terceira de S. Francisco, apareceu entre nós ainda na primeira metade do século XIII. A estruturação da Ordem Terceira Regular principiou em finais do mesmo século a partir de agrupamentos de terceiros seculares que adotaram vida comunitária com votos religiosos. O braço masculino, de perfil semelhante ao da Primeira Ordem, já existia no País na primeira metade do séculoXV. O feminino assumiu duas modalidades: mosteiros de clausura e associações religiosas dedicadas à catequese, atendimento de doentes e outras formas de beneficência. No início do século XVI a Primeira Ordemcindiu-se em três ordens independentes. Em 1517 o Papa Leão X dividiu-a emOrdem dos Frades Menores da Observância (que passaram a ser designadoshabitualmente como Franciscanos) eOrdem dos Frades Menores Conventuais. Oitoanos depois nasceu entre os primeiros um movimento de reforma que o Papa ClementeVII em 1528 aprovou como Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. O Liberalismo interrompeu abruptamentemais de seis séculos de vida conventual franciscana. Em 1833 proibiu-se aadmissão de noviços e no ano seguinte suprimiram-se todos os conventos einstitutos masculinos. Os mosteiros femininos, impedidos de aceitar noviças,iam-se despovoando à medida que as religiosas morriam e eram extintos após ofalecimento da última, ficando o Estado na posse dos edifícios. Na segunda metade do século XIX, apesar dainterdição da lei civil, a Primeira Ordem começou a reorganizar-se com osfrades de Varatojo (Torres Vedras). Paralelamente, apareceram quatro congregações femininas da Ordem Terceira Regular, aindahoje com destacada presença entre nós: as Franciscanas Hospitaleiras de Calais,atualmente Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, e as FranciscanasMissionárias de Maria, originárias da França; e as Franciscanas HospitaleirasPortuguesas, agora da Imaculada Conceição, e as Franciscanas de Nossa Senhoradas Vitórias, fundadas, respetivamente, em Lisboa e no Funchal pela Beata MariaClara do Menino Jesus e pela Venerável Irmã Maria de S. Francisco Wilson. Com a I República sobreveio nova extinçãodos institutos religiosos. Um decreto de 8 de outubro de 1910 expulsou do Paístodos os jesuítas, estrangeiros e nacionais, e todos os demais religiosos ereligiosas estrangeiros. Os portugueses foram obrigados a dispersar e a nãoconviver em grupos com mais de três elementos. Em 1928, desanuviada a situação, as casasde formação dos Franciscanos, então localizadas na Galiza, regressaram aPortugal. Por seu lado, os Capuchinhos estabeleceram-se entre nós em 1934. Omesmo fizeram os Conventuais em 1967, depois duma ausência de quatro séculos.Entretanto, vieram de Espanha quatro congregações femininas da OrdemTerceira Regular: Escravas da Santíssima Eucaristia e da Mãe deDeus, Franciscanas Missionárias da Mãe do Divino Pastor, Franciscanas de NossaSenhora do Bom Conselho e Irmãs Franciscanas da Imaculada. Depois surgiramoutras quatro, de instituição nacional: Fraternidade Franciscana da DivinaProvidência (Fátima), Servas Franciscanas de Nossa Senhora das Graças (Braga),Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado (Bragança) e IrmãsConcecionistas ao Serviço dos Pobres (Elvas), estas fundadas pela VenerávelMadre Isabel da Santíssima Trindade. Finalmente, a Ordem Franciscana Secularconheceu notória renovação na segunda metade do século XX. No mesmo período a colaboraçãointerfranciscana intensificou-se e deu origem a duas realizações maissignificativas: a Peregrinação Nacional Franciscana a Fátima desde 1971 e acriação da Família Franciscana Portuguesa em1978, entidade com personalidade jurídica canónica e civil.   2. Ação missionária Membros duma Ordem que nasceu missionária, os Franciscanos portugueses desenvolveram privilegiadamente essa dimensão a partir do século XV, integrados na gesta universalista dos Descobrimentos. Essa história missionária não pode contudo dispensar a referência ao seu começo,real e simbólico, com Santo António de Lisboa e o seu encontro providencial, emCoimbra, com os protomártires franciscanos de Marrocos. Também ele missionou por breve tempo em Marrocos antes de iluminar a Itália e a França com a eloquência inflamada da sua pregação. A partir do século XVI os Franciscanos evangelizaram a Índia e o Brasil onde criaram quatro províncias religiosas,duas das quais ainda hoje perduram em terras de Vera Cruz. No século XVIICapuchinhos italianos e franceses, entre nós conhecidos por Barbadinhos, abriram casas em Lisboa como base de apoio às suas missões no Brasil, em Angola e na costa e ilhas do Golfo da Guiné. No século XX Capuchinhos, Franciscanos e oito congregações femininas trabalharam nas antigas colónias deÁfrica, contribuindo decisivamente para a formação e crescimento das florescentes cristandades desses novos países lusófonos.   3. Obra cultural Paralelamente ao ministério pastoral, os Franciscanos medievais cedo abriram escolas públicas de gramática, filosofia ou teologia nos conventos de Alenquer, Beja, Coimbra, Évora, Guimarães, Lisboa,Porto e Santarém. A escola de teologia de Lisboa ganhou mais projeção e foi incorporada na universidade de Lisboa pelo Papa Nicolau V em 1453. No séculoXVI a filosofia e teologia da Escola Franciscana ficaram representadas na universidade de Coimbra pela cadeira de João Duns Escoto. Neste século e no seguinte fundaram-se na mesma cidade cinco Colégios Universitários franciscanos da Ordem Terceira Regular e de quatro províncias da Primeira Ordem. Digna de registo, no século XVIII, a ação

Primeiros Franciscanos Seculares

Primeiros Franciscanos Seculares São Lúcio e Santa Bona (+1250). Casal italiano, de Toscana. O primeiro a entrar na Ordem Terceira de São Francisco. Também chamados Luquésio e Bonadona, os Bem-Casados. Juntos serviram aos pobres e doentes. Morreram no mesmo dia.Este é um casal que comeu o Queijo do céu. O culto aos dois bem-casados foi permitido em 1273. Decorria o ano de 1181, (ano de nascimento de S. Francisco) em Gaggiano, comuna da região da Lombardia, província de Milão, quando nasceu um menino, de nome Lucchese Modestini (em português: Luquésio ou Lúcio). Como outros jovens da sua idade, sonhava com armas e glória militar; começou por militar no partido do Imperador; mais tarde, por interesses comerciais, passou para o partido da Papa. Nestas suas andanças, conheceu uma jovem de Poggibonzi, Buonadonna, com a qual casou, tendo vindo a morar, na mesma terra. Ambos eram apegados ao dinheiro, e aos bens materiais. Trabalhavam no comércio;emprestavam dinheiro aos ricos e nobres e fizeram fortuna, assim como o pai deSão Francisco (Pietro de Bernardone). Mas esta ilusão do luxo, do conforto e dos bens temporais, resultou no afastamento das coisas de Deus, e nem sempre esses negócios eram honestos.Aconteceu uma crise de víveres e Luquésio prevendo-a, comprou todo o estoque de trigo, e como único possuidor do produto, elevou os preços e teve lucros extraordinários. Por essa altura, São Francisco, andava na zona de Arezzo a pregar;sendo filho de Pietro de Bernardone, conhecido de Luquésio, do mundo dos negócios, e que como se falava na época, tinha abandonado a sua vida de burguesia, pregando e fazendo penitência, Luquésio decidiu ouvi-lo. De tão eloquentes e santas palavras, tirou o rico e abastado Luquésio, uma lição de humildade, e fraternidade para com os pobres e desfavorecidos, mudando radicalmente a sua vida, devolvendo tudo, o que por meios menos próprios, foi conseguindo e dividindo, com os pobres a sua riqueza. Nesta altura, sua esposa Buonadonna, ainda não tinha sido iluminada, pelo espírito de Francisco, pois questionava as opções do marido, duvidando até da sua capacidade mental, o qual, com muita paciência, rezava para a sua conversão. Certo dia, estava discutindo com o esposo sobre a sua mania de dar pão a todos e que por isso tinha esvaziado toda a arca e não tinha sobrado nada.Meigamente Luquésio lhe lembra Daquele que com 5 pães e 2 peixes matou a fome a cinco mil e ainda sobraram doze cestos: com estas palavras a esposa refletiu. Quando ao abrir de novo a arca a encontrou cheia de pão fresco, a divina luz deDeus a iluminou a sua mente. Tendo perdido os seus dois filhos, o casal dedicou a sua vida a Deus e ao próximo. Sabendo que São Francisco, andava pelos campos ali próximo, muitos leigos, pedem a sua adesão à causa franciscana e entre eles estão, o casal (conhecidos como os Bem-Casados), Luquésio e Buonadonna, propondo Luquésio a São Francisco a entrada no convento e a entrada de Buonadonna para o convento de São Damião juntando-se a Santa Clara. De pronto Francisco contrariou estas ideias dizendo: “Vocês são casados e vão continuar a viver juntos, mas vou dar-lhes uma regra de vida para se tornarem perfeitos”. Eles vestiram o hábito cor cinza e foram cingidos com um cíngulo dizendo: “Vocês vivem no mundo de frades penitentes, mas pertencem ao mundo” para fazer boas obras, jejuar e pregar a paz. São Francisco, pensava, já havia tempo que numa instituição que agrupasse também pessoas leigas, homens e mulheres casados e trabalhadores, que devido ao seu estado não podiam sujeitar-se aos três clássicos votos, de castidade, pobreza e obediência;aproveitou esta oportunidades, compôs e enviou ao casal a regra da chamada Ordem Terceira da Penitência considerada e definida como “medula do Evangelho” que foi aprovada pelo Papa Nicolau IV em 1221. Seguindo as regras da nova vida, Luquésio vendeu a sua casa e todos os seus bens, entregou o dinheiro, para o hospital de São João e o casal, ficou a morar numa pequena casa, perto de um campo, onde Luquésio, cultivava produtos, para seu sustento e dos pobres. Certa vez um padre, passando junto ao campo de Luquésio, vendo que havia cebolas, pediu algumas e Luquésio deu-lhe tantas, que poucas ficaram. Então Luquésio pediu ao padre para as abençoar e logo elas se multiplicaram. Já na sua vida de bem-fazer passando à oração e penitência,havia perto de sua casa o ermitério de Santa Maria em Camaldo, onde Luquésio e a sua mulher se deslocavam muitas vezes para rezar; aí em contemplação o seu corpo se elevava no ar. Luquésio recolhia muitas vezes doentes e levava-os para onde podiam ser tratados. Quando uma vez estava a levar um doente, um rapaz lembrou-se de o humilhar e Luquésio respondeu: “Eu carrego comigo o sofrimento de Cristo”, e como punição divina, o jovem tornou-se mudo, mas Luquésio, intercedeu por eleem oração, e a palavra foi-lhe devolvida. Em 26 de Abril de 1260 Luquésio e Buonadonna, unidos pelo amor na terra, foram também juntos chamados à casa doSenhor. Luquésio teve de ficar de cama, quando de repente Buonadonna, também febril e sentiu-se tão mal que pediu ao marido para chamar o seu confessor frei Hildebrando, para este lhe administrar o sacramento dos doentes. Então Luquésio, vendo a esposa muito mal, pegou-lhe delicadamente na mão e disse: “Querida, já que tanto nos amámos em vida, porque não vamos juntos para a pátria eterna? Por isso espera-me por favor”. Tinha acabado, frei Hildebrando de lhes administrar, o sacramento dos doentes, Luquésio, vendo a esposa a morrer fez o sinal da cruz, pediu a intervenção da Virgem Maria e de São Francisco, e os dois de mãos dadas,entregaram, com poucas horas de diferença, as suas almas a Deus. O povo, que lhes nutria muito amor e admiração não regateou esforços, para louvar e bendizer,este casal abençoado por Deus e não demorou a narrar lendas piedosas e episódios prodigiosos e edificantes. Na morte, como na vida, a sua santidade foi manifestada logo no seu funeral, quando, caindo

Ordem Franciscana Secular – OFS

Ordem Franciscana Secular – OFS História O cronista da Ordem Terceira, Dr. Manuel de Oliveira Ferreira, afirma que em 1234 florescia com grande lustre a Ordem Terceira em Portugal. Não temos porém, documentos que precisem organizações das primeiras fraternidades de Penitentes e sua multiplicação entre nós.  A organização movimentada em Itália, no final de 1200, indubitavelmente chegaria até nós, e nesse tempo se estabeleceriam as fraternidades de Irmãos da Penitência, principalmente em Bragança, Guimarães, Coimbra, Leiria, Alenquer, Santarém, Lisboa, Évora, Portalegre, Guarda, Covilhã e Porto. Mas, repita-se, não ficaram provas directas destas organizações.  Há referências nos cronistas das províncias franciscanas portuguesas, do século XVII, a postulantes professos da Ordem Terceira daquela época e que se destacaram pelas suas virtudes ou posição social e uma ou outra corporação de Terceiros, agrupados para fins singulares de caridade. O exemplo destas, o fervor com que abraçavam a austeridade da perfeição evangélica, ideadas pelo Seráfico Patriarca de Assis incendiou os cristãos de outras terras continentais. Nos meados do mesmo século XVII apareceram muitas fraternidades, quer no continente, quer nos Açores e Madeira. A dispersão geral dos religiosos, em 1834, ocasionou perplexidade, embaraços edúvidas no governo habitual das fraternidades. Muitas delas continuaram a ser dirigidas pelo religioso que era o seu comissário, à data daquela exclaustração.  Extintas as províncias franciscanas, e perseguidos como feras pelos mações de 1834, os milhares de religiosos, as Ordens Terceiras, que deles nasceram e deles se vivificavam lenta mas progressivamente desfaleceriam.Com a aproximação do VII Centenário do nascimento de São Francisco, anunciado e recomendado peloPapa franciscano Leão XIII, na sua Encíclica Auspicato Concessum, de 13 deSetembro de 1882, intensifica-se, no mundo católico, propaganda desta obra franciscana, proposta nesse documento pontifício, como reforma dos costumes familiares e cristãos. Este incêndio seráfico, soprado do mesmo Vaticano, não avançou nas nossas fronteiras.  Os franciscanos portugueses podem alegar, com verdade, como desculpa do atraso neste mesmo apostolado, a dispersão das suas comunidades, forçada pela política anticongregacionista, em Abril de 1901, e a exclaustração e roubo dos seus bens pelos corifeus da República de 1910.  No final do século XIX, havia conhecimento de setenta e cinco fraternidades,algumas das quais sem vida espiritual apreciável, e grande parte delas sem contacto com superiores franciscanos. Após o Concílio Vaticano II, surgiu em Portugal um forte movimento de restauração da Ordem Terceira e das suas fraternidades.  Liderados, principalmente por Frei António de Pinho, OFM e pelo franciscano secular Alfredo dos Santos Freire, muitas fraternidades foram reactivadas e muitos cristãos começaram a viver o Evangelho, na radicalidade da espiritualidade de São Francisco de Assis.  Com a Regra de Vida, dada pelo Papa Paulo VI, e as Constituições Gerais da Ordem Franciscana Secular, a Ordem não mais parou de crescer em número de Irmãos e Irmãs e Fraternidades. Também a juventude abraçou este ideal de vida e nasceu a JUFRA (Juventude Franciscana de Portugal), impulsionada pelo Conselho Nacional, com a liderança destacada da Irmã Isabel Jardim de Campos.  No início do terceiro milénio a Ordem Franciscana Secular está bem implantada em Portugal, servida por um Conselho Nacional, cinco Conselhos Regionais, com 94 Fraternidades e cerca de três mil Irmãos e Irmãs. A Assistência Espiritual é confiada à Primeira Ordem e concretiza-se através da Conferência de Assistentes Espirituais (OFM, OFMCap e OFMConv), os Assistentes Espirituais das Regiões e os Assistentes Espirituais da Fraternidades locais (frades franciscanos, dos três Ramos, algumas Irmãs Franciscanas, bem como alguns sacerdotes diocesanos). Estes exercem a tríplice missão de garantir a fidelidade da OFS ao carisma franciscano, a comunhão com a Igreja e a união coma Família Franciscana. in familiafranciscana.pt Outros Artigos All Posts São Francisco Franciscanos em Portugal A Família Franciscana Portuguesa Primeiros Franciscanos Seculares CEP – Oito séculos de presença Franciscana em Portugal Teologia e Espiritualidade Franciscanas

A Família Franciscana Portuguesa

A Família Franciscana Portuguesa «Entre as famílias espirituais, suscitadas pelo Espírito Santo, na Igreja, a Família Franciscana congrega os membros do Povo de Deus, leigos, sacerdotes e religiosos, que se sentem chamados e seguir a Cristo, no encalço de São Francisco de Assis. De formas diversas, mas em mútua comunhão vital, todos eles querem tornar presente, na vida e missão da Igreja, o carisma do Pai S. Francisco, que lhes é comum» (Regra da OFS, I, 1). São muitas as famílias espirituais que existem naIgreja, como, por exemplo, a família beneditina, a família dominicana, a família carmelita, a família inaciana,… Cada uma teve um fundador ou fundadora que lhe comunicou uma espiritualidade, inspirada pelo Espírito Santo e marcada pela vivência de certos aspetos do Evangelho. Os franciscanos realçam, na sua vida, a pobreza evangélica, a simplicidade, a fraternidade, a menoridade, a alegria e a comunhão de louvor com toda a Criação. Estas famílias religiosas vivem em plena comunhão coma Igreja Católica, que as aprova e que elas embelezam com seu modo de vida. São Francisco de Assis, sendo um dos mais profundos imitadores de Jesus Cristo, atraiu à sua maneira de viver muitos irmãos e irmãs, leigos, religiosos, religiosas e sacerdotes, acabando por fundar três Ordens novas na Igreja: Ordem dos Frades Menores, Ordem das Senhoras Pobres ou Ordem de Santa Clara (Clarissas) e Ordem Franciscana Secular.   A PRIMEIRA ORDEM Ordem dos Frades Menores  – OFM, OFMConv, OFMCap A primeira Ordem teve início com os primeiros companheiros que se juntaram a Francisco e quiseram seguir o seu género devida. O nome de Menores foi-lhe dado por Francisco, como se pode ler na Legenda Perusina: «Disse um dia o bem-aventurado Francisco a seus frades: “A Ordem e vida dos frades Menores é um pequeno rebanho, que o Filho de Deus, nestes últimos tempos, pediu ao seu Pai celeste, dizendo: Pai, eu quero que reúnas e me concedas um povo novo e humilde que, pela sua pobreza e humildade, se distinga, no presente, de todos os que o precederam; e que, como sua riqueza, não tenha senão a mim. E o Pai respondeu ao Filho amado: o que pediste foi-te concedido». «O Senhor, acrescentou o santo, quis que os frades tivessem o nome de “menores” porque são esse povo que o Filho de Deus requereu ao Pai (…)». «Como foi revelado ao bem-aventurado Francisco, que devia chamar aos seus religiosos “Frades Menores”, assim o fez escrever na primeira Regra, que levou ao senhor Papa Inocêncio III, que a aprovou e outorgou, antes de a apresentar oficialmente no Concílio» (LP 67). A Ordem dos Frades Menores começou a existir oficialmente com a aprovação da Regra, em 16 de abril de 1209, pelo Papa Inocêncio III. Mas a Regra definitiva, a dita Regra Bulada, no fundo a única e verdadeira Regra da Ordem dos Frades Menores, redigida por S. Francisco de Assis, com a colaboração dos juristas da Ordem e dos canonistas da cúria pontifícia, que se mantém até hoje e se conserva como o documento inspirador básico da Ordem Franciscana, foi aprovada em 29 de novembro de 1223, pelo Papa Honório III. A Ordem dos Frades Menores possui uma história muito diversificada e produziu, na Igreja, uma quantidade apreciável de grandes santos e de figuras célebres da evangelização missionária e da pregação, de grandes mestres da Filosofia e da Teologia e de abalizados exemplares de todos os ramos da ciência, da arte, da literatura. Só a título de exemplo, citamos, Santo António de Lisboa, S. Boaventura, Beato João Duns Escoto, Frei Rogério Bacon, e, em nossos tempos, Frei Agostinho Gemelli, fundador da Universidade Católica de Milão.No decurso da história, a Primeira Ordem, no desejo de ser mais fiel às suas origens, veio a diversificar-se em vários ramos ou Obediências. Desde fins do século XIX e por influência e decisão do Papa Leão XIII, as diversas divisões da Ordem ficaram reduzidas aos três ramos principais: Ordem dos Frades Menores (Observantes) conhecidos simplesmente por Franciscanos (OFM); Frades Menores Conventuais (OFM CONV); Frades Menores Capuchinhos (OFM CAP).   A SEGUNDA ORDEM Ordem de Santa Clara – OSC (Clarissas)   «Quando trabalhava sem descanso na restauração da igreja de S. Damião, querendo que as lâmpadas estivessem ali perpetuamente acesas, ia pela cidade a pedir azeite. Um dia, quando se aproximava de uma casa, percebeu que havia gente reunida a jogar. Sentindo vergonha de pedir na sua presença, retirou-se. Mas, entrando em si mesmo, acusou-se de ter pecado.Correu em seguida ao lugar onde estavam os jogadores e confessou, diante de todos, que não ousara pedir esmola por respeito humano. De imediato, entrou na casa e, em francês, pediu que lhe dessem, por amor de Deus, o azeite necessário para as lâmpadas de S. Damião. Muitos operários trabalharam com ele na reparação da igreja. Interpelava, com voz forte, na alegria da sua alma, os vizinhos e transeuntes, dizendo-lhes, em francês: “Vinde, ajudai-me a trabalhar na igreja de São Damião; ela virá a ser um convento de senhoras, cuja fama e vida glorificarão, na Igreja universal, o Pai dos céus”. Eis como, cheio de espírito profético, ele anunciou coisas que haviam de realizar-se no futuro. Foi de facto, neste lugar sagrado, que a Ordem famosa e tão admirável das religiosas, chamadas “Damas pobres”, foi felizmente fundada pelo bem-aventuradoFrancisco, cerca de seis anos depois da sua conversão. A sua vida maravilhosa e as suas gloriosas instituições foram aprovadas pela autoridade da SéApostólica, pelo Papa Gregório IX, de santa memória, antes bispo de Óstia» (Legenda dos Três Companheiros, 24).   De facto a Segunda Ordem foi fundada por São Francisco de Assis e teve o seu início em Clara de Assis. Como descreve Tomás de Celano, Clara era “nobre pelo sangue, mais nobre pela graça, virgem no corpo, puríssima no espírito; jovem na idade, adulta na prudência; constante nos propósitos,ardente e entusiasta no amor de Deus; adornada de sabedoria e de humildade, Clara de nome, mais clara ainda pela sua vida, claríssima em suas virtudes” (1C 18). Clara contava 18 anos

Franciscanos em Portugal

Franciscanos em Portugal Oito séculos de espiritualidade, cultura e ação social A Ordem dos Frades Menores, fundada por São Francisco de Assis, foi aprovada em 1209 pelo papa Inocêncio III e não tardou a espalhar-se pela Europa.As tradições sobre a vinda de São Francisco a Portugal em 1214, por ocasião de uma eventual peregrinação a Compostela, não são confirmadas por fontes medievais seguras. Seja como for, os Franciscanos estabeleceram-se no país em 1217, depois de o capítulo geral desse ano ter enviado os primeiros irmãos para fora da Itália, organizados no que se poderiam chamar «províncias pessoais», isto é, grupos de frades colocados sob a obediência de um «ministro». O capítulo geral de 1219 reforçou a organização provincial com a criação formal de províncias territoriais. Uma delas era a de Espanha (ou as Espanhas) que abrangia os cinco reinos cristãos da Península Ibérica.Os primeiros conventos, simples ermitérios, foram os de Alenquer, Guimarães, Lisboa (todos de 1217) e Coimbra (que já existia em 1220). Ficaram na história os nomes de dois fundadores: em Alenquer, Frei Zacarias de Roma, e, em Guimarães, Frei Guálter, que a tradição popular vimaranense canonizou e ainda hoje celebra nas Festas Gualterianas. Foi no Ermitério de Santo Antão dos Olivais, em Coimbra, que Santo António de Lisboa passou os primeiros meses da sua vida franciscana antes de embarcar para Marrocos como missionário em fins de 1220. Desdobramento da Província de Espanha e desmembramento da custódia portuguesa Entre 1232 e 1239 a Província de Espanha desdobrou-se em três: Aragão, Castela e Santiago. Esta incluía o território português e por isso também aparece muitas vezes designada como Província de Portugal. Os conventos portugueses, como era frequente em províncias mais extensas, formavam a custódia de Portugal (ou de Lisboa). O capítulo provincial de 1272 desmembrou a custódia portuguesa em duas: a de Lisboa com sete conventos (Alenquer, Estremoz, Évora, Leiria, Lisboa, Portalegre e Santarém) e a de Coimbra com seis (Coimbra, Covilhã, Guarda, Guimarães, Lamego e Porto). O de Bragança, com existência documentada desde 1271, ficou na custódia de Orense devido à proximidade geográfica. O capítulo provincial de 1330, celebrado em Coimbra, formou uma terceira custódia, a de Évora, com as seis casas então existentes a sul do Tejo (Beja, Estremoz, Évora, Loulé, Portalegre e Tavira). As religiosas inspiradas no carisma de S. Francisco – que este artigo não aborda – instalaram-se em Portugal, através das Clarissas, em Lamego, no ano de 1258. Até 1834 foram fundados dezenas de mosteiros da Ordem de Santa Clara. A restauração, após a política anti congreganista, ocorre em 1925, com a compra do mosteiro do Louriçal. Ao longo dos séculos XIX e XX floreceram diversas congregações femininas franciscanas, algumas de fundação portuguesa. Biblioteca do convento de Mafra Consequências do Cisma do Ocidente O enquadramento jurídico dos franciscanos portugueses conheceu nova e decisiva alteração com o Cisma do Ocidente (1378-1415). As cinco custódias espanholas da Província de Santiago aderiram ao papa de Avinhão, alinhando nessa matéria com a política oficial do reino de Castela,definida em maio de 1381. As três custódias portuguesas mantiveram-se fiéis ao papa de Roma. A partir de 1382 a província compostelana desdobra-se praticamente em duas com ministros provinciais próprios: um em Santiago, ligado a Avinhão, e outro em Lisboa, de obediência romana. A guerra entre Portugal e Castela, de 1384 a1387, veio acentuar a rutura. A legalização canónica da nova Província de Portugal terá sido formalizada no capítulo geral de 1418 ou no de 1421. Frei Gil Lobo de Tavira foi o primeiro ministro provincial. Atividades dos Franciscanos A principal atividade externa dos frades nos primeiros tempos foi o ministério pastoral da pregação e da celebração dos sacramentos. Alguns conventos não tardaram, porém, a abrir escolas públicas de gramática, filosofia e teologia. As de Lisboa e Santarém estão documentadas desde 1261. Depois há notícia de mais seis: Alenquer, Beja, Coimbra, Évora,Guimarães e Porto. Quase todas viriam provavelmente do século XIII. A escola de teologia de Lisboa foi a que ganhou maior projeção: o capítulo geral de Assis de 1340 elevou-a a estudo geral da ordem e em 1453 o papa NicolauV incorporou-a na Universidade de Lisboa. Conventualismo e observância Entretanto, desde meados do século XIV, defrontavam-se duas tendências na ordem: o conventualismo (ou a Claustra, como se dizia em Portugal) e a observância. Os conventos da Claustra eram normalmente desenhados com amplidão,privilegiavam a disciplina regular da vida comum de estilo monástico, praticavam a regra com dispensas pontifícias, em matéria de pobreza, estavam geralmente localizados em centros urbanos e bastantes mantinham escolas públicas. Em geral, era este o perfil dos conventos portugueses em meados do século XIV. A vida quotidiana, marcada pela regularidade dos ofícios litúrgicos e das lições escolares, assumira um ritmo quase monacal, diferente da itinerância e da espontaneidade das primeiras gerações franciscanas. O movimento da observância apareceu na Itália e pouco depois na França e naEspanha. Os seus defensores insistiam na observância integral da regra,praticavam a austeridade e a pobreza na simplicidade dos edifícios e no passadio quotidiano, privilegiavam a oração mental e a pregação popular e localizaram-se geralmente em sítios ermos ou em meios rurais. Os estudos, descurados pelos iniciadores, foram retomados na segunda geração da observância, em princípios do século XV, sob o impulso de São Bernardino deSena. Data igualmente deste período o regressso progressivo aos centros urbanos sem abandono das implantações eremíticas. A observância entrou em Portugal em 1392 com Frei Diogo Arias, Frei Gonçalo Marino e outros frades da Província de Santiago. Nesse ano abriram cinco ermitérios no Norte; quatro na zona de Entre Minho e Lima, que então pertencia à diocese galega de Tui, e o outro em São Clemente das Penhas, nos arredores de Leça da Palmeira. No século XV fundaram-se mais de uma dezena de conventos observantes no país. O mais importante viria a ser o de Varatojo (Torres Vedras), construído por D. Afonso V e inaugurado em 1474. Como noutros países da Europa, os observantes de Portugal, ao certo desde1447 e porventura já no decénio de 1420, organizaram-se em vigariaria

São Francisco

São Francisco Biografia 1181 ou 1182 Francisco nasce, em Assis, Itália, filho de Pedro Bernardone, mercador de tecidos, e de Donna Pica. Recebeu, no batismo, ocorrido na catedral de S. Rufino, o nome de João, que seu pai, ao regressar da Provença, mudou para Francisco (Francesco ou Francês), em homenagem à França, aonde ia abastecer-se de panos. 1200 Francisco é aclamado Rei da Juventude e, juntamente com a corte dos amigos, passa a vida em festas, banquetes, serenatas, guitarradas e canções, à porta das belas moças de Assis. O pai encanta-se com a fama do filho, que lhe dá grande esperanças de continuador dos seus negócios. 1202 Francisco participa na guerra entre Assis e a vizinha Perusa. Assis é derrotada e Francisco fica preso, em Perusa, durante um ano. Na prisão anima os companheiros com sua alegria e canções de liberdade. 1204 Ansioso de glória, Francisco alista-se nas hostes de Gualter de Brienne e parte, numa expedição de Assis, para a Apúlia, a libertar territórios do Papa Inocêncio III. Quando cavalgava para o campo de batalha, um sonho, tido em Espoleto, durante a noite, fá-lo regressar a Assis, onde começa a levar vida retirada, que provoca uma viragem no seu ideal. 1205 Francisco ouve do crucifixo da igreja de S. Damião esta fala: “Francisco vai reparar a minha igreja que está a cair em ruínas!”. Pedro Bernardone desagrada-se desta mudança do filho e move-lhe violenta oposição, enquanto a mãe se mostra mais compreensiva e pacificadora. O pai prende Francisco num cubículo gradeado, mas a mãe, na ausência paterna, abre-lhe as grades. 1206 Francisco despe a roupa no tribunal do Bispo de Assis, e entrega-a ao pai, exclamando: “Até hoje chamei pai a Pedro Bernardone; doravante, poderei dizer deveras: Pai Nosso que estais nos céus!” O bispo envolve Francisco nu na sua capa e este sai de Assis rumo à sua vida nova, começando a reparar a igrejinha de S. Damião. 1206 a 1208 Francisco reconstrói as igrejinhas de S. Damião, S. Pedro e Santa Maria dos Anjos da Porciúncula. 1209 Francisco dirige-se a Roma, com onze companheiros, e obtém do Papa Inocêncio III a aprovação oral da sua Regra e da sua Forma de Vida de Frades Menores. 1209 ou 1210 Francisco funda a Ordem dos Irmãos e Irmãs da Penitência, depois chamada Ordem Terceira de São Francisco (Tertius Ordo Franciscani – TOF ) e, hoje, denominada Ordem Franciscana Secular (OFS ). 1212 Clara Favarone, menina de Assis, onde nasceu, a 16 de julho de 1193 ou 1194, é recebida por Francisco, na noite do Domingo de Ramos, em Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, dando, assim, início à Ordem das Clarissas ou das Senhoras Pobres de Assis. 1213 Francisco aceita o Monte Alverne, oferecido pelo Conde Orlando de Chiusi para que nele construa um ermitério e ali se possa entregar à oração. Monte Alverne é um dos lugares altos da vida e espiritualidade de Francisco. Ali, recebeu a impressão das chagas do Crucificado. 1216 Francisco obtém do Papa Honório III a indulgência da Porciúncula, a igrejinha Mãe da nova Família Religiosa. 1219 Francisco vai ao Próximo Oriente, onde os cristãos europeus movem guerra aos Muçulmanos, para libertarem os Lugares Santos. Dando início ao diálogo inter-religioso e ao espírito ecuménico, é recebido benevolamente pelo Sultão do Egito, prediz a derrota dos cristãos e visita a terra de Jesus. 1221 Francisco obtém do Papa Honório III a aprovação da Regra dos Irmãos e Irmãs da Penitência, dita, hoje, Ordem Franciscana Secular. 1223 O Papa Honório III aprova a Regra definitiva ou Regra bulada ( 2 R ) da Ordem dos Frades Menores ( OFM ). Francisco celebra, na noite de 24 para 25 de dezembro, a festa de Natal, em Greccio, aldeia do Vale de Rieti, na propriedade do seu amigo, João de Velita, que, ali, armou o primeiro presépio. Francisco oficiou de diácono na missa. 1224 Francisco tem a visão do Serafim alado, em setembro, no Monte Alverne, recebendo, no seu corpo, as chagas de Cristo Crucificado. 1224 e 1225 Montado num jumento, prega pela Úmbria e pelas Marcas de Ancona. 1225 Visita Clara, em S. Damião. Os tratamentos que lhe fazem não surtem efeito. Fica internado em S. Damião. Ali, alquebrado, esmagado de dores e quase cego, compõe e canta, em abril ou maio, o Cântico do Irmão Sol ou das Criaturas. Em julho, dirige-se a Rieti para novo tratamento e é acolhido pelo Cardeal Hugolino, seu grande amigo. No mês de agosto o médico cauteriza-lhe as fontes, aplicando-lhe um ferro em brasa, sem resultados. Volta a Rieti, em setembro, e, em La Foresta, renova a vinha do padre local, agastado com a devastação operada pelos admiradores e devotos de Francisco. 1226 Francisco vive em Rieti, em Fonte Colombo e em Sena. Em maio ou junho regressa à Porciúncula. Em agosto ou setembro vai ao palácio do bispo D. Guido para se tratar. A seu pedido, é levado para a Porciúncula, e, no caminho, lançado a bênção à sua cidade de Assis. Na Porciúncula dita o Testamento. No dia 3 de outubro, ao sol-posto, morre, rodeado dos Irmãos, banhados em lágrimas. No dia 4 é sepultado na igreja de São Jorge. 1228 No dia 16 de julho, Francisco é canonizado pelo Cardeal Hugolino, Protetor da Ordem e seu grande amigo, agora, papa, com o nome de Gregório IX. 1230 No dia 25 de maio, os restos mortais do Pai da Família Franciscana são trasladados para a nova Basílica de São Francisco de Assis. in ofm.org.pt Outros Artigos All Posts Franciscanos em Portugal A Família Franciscana Portuguesa Ordem Franciscana Secular – OFS Primeiros Franciscanos Seculares CEP – Oito séculos de presença Franciscana em Portugal Teologia e Espiritualidade Franciscanas

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